Trânsito ruim? Você também tem culpa Imprimir E-mail

Segundo especialistas, medidas como não estacionar em fila dupla podem melhorar em até 50% o fluxo de veículos nas cidades

Em tempos de obras nas vias centrais de Curitiba, os congestionamentos e o tempo de permanência dos motoristas no trânsito tendem a aumentar. E as cobranças por melhorias no fluxo invariavelmente recaem sobre o poder público. Mas, de acordo com especialistas em trânsito, metade da responsabilidade pelo reivindicado alívio no tráfego cabe aos próprios motoristas – bastaria para isso adotar pequenas gentilezas.

As atitudes recomendadas são simples. Olga Mara Prestes, arquiteta e gestora de mobilidade urbana da Urbs (empresa que gerencia o trânsito na capital), explica que os congestionamentos nascem, geralmente, de atitudes impensadas dos motoristas.

“Sempre há motivo para congestionar. Uma quebra de carro, um carrinheiro na rua... É preciso ter em mente que as atitudes individuais de cada motorista refletem no todo do trânsito”, diz Olga, acrescentando que pequenos focos de lentidão evoluem para engarrafamentos em questão de minutos.

A gestora argumenta ainda que muitos condutores não compreendem o trânsito com a consciência de coletividade. “Cada motorista se preocupa apenas com as suas questões individuais. Se, para ele, é mais rápido travar o cruzamento para passar rápido pelo semáforo, ele não pensa duas vezes antes de fazer isso”, opina. “Nos espaços públicos, as pessoas tendem a ser egocêntricas. E o espaço é de todos. O mais importante, no trânsito, é se comportar em favor do bem comum”, concorda a coordenadora-geral de educação do Departamento Nacional de Trânsito, Juciara Rodrigues.

E os direitos – e deveres –, para quem usufrui do trânsito, são exatamente os mesmos para qualquer um. “É um ambiente com as mesmas regras de convivência. A minha necessidade não pode ser maior do que a necessidade do outro”, aponta Maria Helena Gusso Mattos, coordenadora de educação para o trânsito da unidade do Detran no Paraná. “Em Curitiba – e acho que também no resto do país –, ninguém dá a vez para você trocar de pista. Há falta de consideração do motorista com quem está no trânsito”, afirma Fernando Willrich, produtor de marketing que roda pelo centro da cidade na hora do rush. “Dentro das possibilidades, eu tento ajudar. Acho que é importante se preocupar com o próximo”, completa.

Batalha do cotidiano

Conforme Juciara, o individualismo é o responsável pela transformação do trânsito em uma “batalha do cotidiano”. “O comportamento dos motoristas não deveria ser reativo. No trânsito, a coisa mais comum é quando um condutor é fechado, por exemplo. Na maior parte das vezes, ele tende a acelerar para dar o troco em quem fez isso”, diz. “As estatísticas das pessoas que morrem em acidentes existem. Porém, pelo contrário, não há números de quem morre pelos conflitos do trânsito”, aponta.

Maria Helena Gusso Mattos alerta ainda para a falta de concentração de alguns condutores. “A dinâmica do trânsito exige foco de quem dirige. Um descuido ou uma distração podem colocar a vida dos outros em risco.” Mas, para Juciara Rodrigues, as desatenções dos outros condutores não devem ser respondidas com violência. “A pessoa tem o direito de se desligar. É preciso evitar os conflitos”, diz. “No trânsito, hoje, ninguém tem paciência. Se, desde a escola, as pessoas fossem incentivadas a realizar gentilezas, o trânsito seria um espaço mais educado. E, com o respeito, existiria mais facilidade em rodar pela cidade”, defende uma agente de trânsito que não quis ser identificada.

Medidas

Veja algumas atitudes que ajudariam a melhorar o fluxo de trânsito na cidade:

- Não parar em fila dupla.

- Evitar rápidas “paradinhas” no semáforo, caso esteja verde.

- Não invadir os “yellow box” – as faixas amarelas dos cruzamentos.

- Evitar a conversão à esquerda em vias de mão dupla. A melhor alternativa é virar à direita e, em seguida, à esquerda para realizar o cruzamento.

- Respeitar o pedestre e o ciclista.

- Utilizar as pistas indicadas para as conversões.

- Não avançar o sinal vermelho. Além de aumentar o risco de acidentes, essa atitude atrasa o início do fluxo da outra rua.

- Dar a vez para os veículos do transporte coletivo, pensando no benefício da coletividade.

- Dar a vez para quem dá o sinal. Por falta de alternativa, muitos motoristas são obrigados a parar para trocar de pista.

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Fonte: Gazeta do Povo - 19/10/2008

Autor: Vinicius Boreki