| Jaime Lerner é contra prioridade para o metrô |
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Jaime Lerner não faz rodeios ao falar sobre a construção do metrô: é contra. Vê retrocesso na prioridade dpo metrô em detrimento da melhoria e expansão do sistema de ônibus expressos em canaletas exclusivas. Ao abandonar a política adotada por ele em sua primeira administração como prefeito (1970/1974), que priorizava o transporte coletivo e o pedestre, a cidade na verdade passa a priorizar o transporte individual. “Hoje está se dando prioridade ao automóvel em Curitiba”, criticou ele, em entrevista à rádio CBN (ouça a reprodução da entrevista na Radio Setransp, nesta mesma página). Lerner diz que seria mais inteligente investir os R$ 2,25 bilhões previstos para a primeira fase do metrô na melhoria do sistema conhecido como “BRTs”, de ônibus em canaletas exclusivas com embarque rápido. “Na verdade nem o carro, nem o metrô são solução. São Paulo alargou as (avenidas) marginais e está cada vez mais complicado. Esperar 20 anos por uma linha de metrô também não vai resolver”, afirmou. O ex-governador apontou ainda que estaria havendo uma perda de qualidade desse sistema como forma de justificar o investimento no metrô. “No momento em que o sistema é canibalizado, mal operado, os tubos começam a encher de gente. Demora, tem que esperar mais. Você começa a desacreditar o sistema. Aí todo mundo fala em metrô. Toda eleição é a mesma coisa”, disse. “Há dez, quinze anos expresso tinha prioridade no sinal. O que adianta ter embarque rápido se o ônibus vai parar em cada esquina. Estão canibalizando o sistema de transporte coletivo de Curitiba para justificar o metrô”, criticou. Lerner lembrou que 120 cidades em todo o mundo adotaram ou estão adotando os “BRTs”, a um custo muito mais baixo e com resultados mais rápidos e semelhantes os do metrô subterrâneo. “Pessoas pensam que o metrô vai passar na frente da casa dela, isso não vai acontecer. São Paulo tem quatro linhas de metrô e 84% da população se desloca pela superfície. Dá para transformar o ônibus em um metrô, metronizar a superfície”, defendeu. Afirmando que o metrô é seis vezes mais caro que o sistema de ônibus expresso, ele alertou ainda para os custos de operação do mesmo. “Não é meia linha que vai resolver o problema. Vai se pagar muito caro, e a operação do metrô precisa ser subsidiada. Ou vamos aumentar a tarifa para todo mundo, ou o poder público vai ter que ajudar, o que significa tirar dinheiro de educação, saúde, segurança”, apontou.
Bola fora
O ex-governador criticou ainda as ciclofaixas de
lazer implantadas pela atual administração municipal, com funcionamento
restrito a um final de semana por mês. “Aquilo foi uma bola fora sem tamanho.
Parece horário de farmácia, ou noticiário. Bicicleta tem que fazer parte do dia
a dia”, cobrou, lembrando que a cidade tem 120 quilômetros de ciclovias,
bastando poucos investimentos para melhorá-las e integrá-las. |


