Curitiba é modelo em projeto mundial de prevenção a lesões no trânsito Imprimir E-mail
curitiba2.jpgRepresentantes da Organização Mundial da Saúde (OMS), dos ministérios da Saúde e da Justiça, da Polícia Rodoviária Federal e Secretaria Nacional Antidrogas apresentaram em Curitiba o Projeto Mundial de Prevenção de Lesões no Trânsito e de Segurança Viária.  A apresentação foi feita no auditório da Urbs, Urbanização de Curitiba S/A.

"Curitiba é modelo no Brasil em ações preventivas, políticas integradas de circulação e transporte, fiscalização, atendimento a vítimas no trânsito e segurança viária", disse a representante do Ministério da Saúde Marta Silva.

Ela disse que o projeto de prevenção de lesões, que tem apoio da Fundação Bloomberg, dos Estados Unidos, visa reduzir ao máximo as mortes provocadas pelo trânsito, com adoção de medidas de segurança viária a longo prazo - entre 2011 e 2020.

"Curitiba é a precursora na busca de boas idéias nos mais diversos campos do planejamento urbano e em alternativas preventivas para um trânsito e um transporte público mais seguros, reduzindo os riscos da mortalidade, que são crescentes no mundo", disse o presidente da Urbs, Marcos Isfer, ao abrir a reunião.

Participaram do encontro as secretárias municipais da Saúde, Eliana Chomatas, e da Educação, Eleonora Bonato Fruet, o secretário municipal Antidrogas, Nazir Abdala Chaim, e representantes do Detran/PR, Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), da Polícia Militar, e da Polícia Rodoviária Federal.

Isfer disse que medidas preventivas no trânsito são o principal instrumento utilizado em Curitiba desde os anos 1970, quando a cidade ganhou sua atual conformação graças à infra-estrutura desenhada pelo Plano Diretor, originalmente implantado a partir de 1966.

Marcos Isfer disse ainda que Curitiba é uma das cinco cidades brasileiras que participa do projeto mundial, ao lado de Palmas (TO), Campo Grande (MS), Teresina (PI) e Belo Horizonte (MG).

O presidente da Urbs disse que os problemas de trânsito urbano não podem ser tratados isoladamente, e sim, de forma integrada com outros órgãos municipais, estaduais e federais, por se tratar de um problema de saúde pública.

Números - Pesquisas realizadas pela OMS e pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) revelam que os custos com mortes provocadas pelo trânsito em todo o mundo equivalem de um a dois por cento do Produto Interno Bruto (PIB) dos países, e que até o ano de 2030 a expectativa é que ocorram 2,4 milhões de mortes por ano, no mundo.

"A maior causa de mortes, hoje em décima colocação mundial, até lá passará a ser a quinta", afirmou a representante da OMS e da OPAS, Maria Alice Barbosa Fortunato, que participou da reunião na Urbs.

Maria Alice disse ainda que a faixa etária mais vitimada pelo trânsito tem idade de 15 a 29 anos. A segunda, de cinco a 14 anos, seguindo-se a na faixa etária de 30 a 44 anos. Os números de trânsito mais críticos ocorrem em países de baixa renda, onde até 70% das mortes envolvem, pela ordem, pedestres, motociclistas e ciclistas.

Marta Silva, do Ministério da Saúde, lembrou que os principais fatores de risco responsáveis pelo índice crescente de acidentes com vítimas no Brasil são, pela ordem, o alcoolismo, o excesso de velocidade, a falta de uso de cinto de segurança por motoristas e passageiros, a falta de uso de capacete pelos motociclistas, a ausência dos equipamentos para transporte de crianças - obrigatórios a partir de 9 de junho -, bem como  o traçado de ruas na maioria das cidades e a falta de infra-estrutura urbana.

 

Outro número preocupante citado é o de que 60% das vítimas de trânsito, que resultam em morte ou que deixam lesões, são de dez países. O Brasil é o quinto nessa escala que inicia pela Índia, e prossegue pela China, Estados Unidos, Rússia, Brasil, Irã, México, Indonésia, África do Sul e Egito.

Na outra ponta, segundo Marta, 44% dos países incentivam o uso do transporte público, como uma alternativa para o cada vez mais preocupante transporte individual que dificulta o tráfego nos centros urbanos.


Fonte: Urbs